Um time que cai

Uma semana pode ser muita coisa para um time de futebol, para o bem e para o mal. O Internacional conseguiu, nos últimos sete dias, transformar todas as pretensões de um ano na expectativa de amargas decepções.

E, como sempre, o caminho correto é o do meio: nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

A derrota para o Peñarol foi inesperada – não pelo Peñarol, seu time, sua história e a camisa mais linda e pesada da América do Sul – mas pelo próprio Colorado, que tratou de colocar por terra toda a minha teoria desenvolvida no post anterior. Um time que se abateu com um gol, que sofreu por não se acalmar, e que desde então (e lá se vão sete longos dias) não mais se reencontrou em campo.

Claro que perder um Gre-Nal em casa, após cair na Libertadores, sempre forma o terreno PROPÍCIO para uma terra arrasada sem precedentes. Mas não é o caso AINDA: a situação de hoje se parece muito com o que foi visto no Internacional em 2008, quando da queda na Copa do Brasil e, logo depois, da saída de Abel Braga. Uma espécie de MINIRECONSTRUÇÃO, que já começou com a chegada de Falcão, e que ainda depende de trabalho feito longe dos jogos.

Ou: treino, treino e mais treino. O Inter não treinou nos últimos dias, e ao menos agora (o ponto positivo de uma situação bem ruim) tem um pouco de tempo para pensar no Brasileiro. Time, elenco, material humano existe. Se as ideias forem corretas, quem sabe, depois de 32 anos, o Brasil não volta a ser colorado de novo.

Quem sabe…
Chico Luz

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Um time que fala

Na minha MOCIDADE, uma das coisas que mais me afligia no Internacional era ver como o time – QUALQUER time, em QUALQUER época dos meus 0 aos 21 anos – se apequenava dentro de uma partida. Era muito difícil que qualquer circunstância fora do comum fosse benéfica ao Colorado de então, e muito disso passava (no que eu entendo de futebol) pelo pouco que os jogadores se comunicavam em campo. Tanto entre eles quanto com o juiz, com os adversários, etc.

Pois no domingo, no Gre-Nal que terminou empatado após um domínio territorial completo dos vermelhos – e que teve um triunfo localista nos pênaltis – deu para ver efetivamente como os últimos cinco anos fizeram o Inter crescer, em todos os sentidos. Claro que isso fica evidente com dois títulos de Libertadores, uma Sul-Americana, três vice brasileiros e um convite para jogar uma Audi Cup da vida. Mas, para mim, forjado na arte eterna e terrível do Gre-Nal, ver o Inter ser maior que o Grêmio até nos aspectos externos de dentro do jogo é algo muito, mas muito legal.

Porque eu muito sofri com o Grêmio matreiro que vicejou até 2002. Aquele time que sempre dava um jeito de tentar importunar tudo, que fazia gols criados de jogadas de mão e tirava os Fabianos dos clássicos após discussões estapafúrdias, era sempre superior mentalmente ao Inter. E, ontem, o Colorado dominou todas as ações.

Uma das vantagens de se assistir ao jogo no estádio – e de fazer isso pelo trabalho, o que (acreditem) faz com que tu preste atenção nos teus deveres antes de lembrar que ali está o time que é parte da tua vida – é perceber alguns detalhezinhos, que contam muitas vezes o porquê de um jogo terminar de tal maneira. A diferença primordial entre Inter e Grêmio hoje é que os colorados falam, e os gremistas calam. Leandro Damião (gênio eterno) e D’Alessandro conversaram durante TODO o tempo em que estiveram próximos: gesticulavam, combinavam jogadas, se cobravam. Douglas e Borges, no lado tricolor da força, pareciam nunca ter sido apresentados. O único gremista que se fazia ouvir era Fábio Rochemback, e não à toa ele se enervou por ser o único responsável por toda a COMUNICAÇÃO azul.

Enfim: detalhes, apenas isso – mas são nos detalhes que um clube cresce, e o Inter mostra que vem cumprindo muito bem o seu papel. Seja no Beira-Rio em um Gre-Nal, seja num Centenario lotado contra o Peñarol, o Colorado de hoje é um time maduro e que sabe do seu potencial.

Chico Luz

Quem quer a Copa?

Pelo jeito, não o Grêmio.

Eu tinha dito que, com as atuações recentes, nem tricolores e nem colorados podiam se considerar amplos favoritos nos seus jogos de oitavas de final. Pois a esquadra portaluppista fez questão de ampliar este LEQUE de pensamento com uma atuação simplesmente pavorosa no jogo de ida contra a Universidad Católica, apesar de o resultado ainda não significar o fim dos sonhos molhados azuis com a terceira Copa. Da mesma maneira, o Vélez mostrou um futebol que ainda não tinha exibido (eu não VIRA nenhum jogo do Fortín até agora) nesta Libertadores.

Mas começando pelo começo.

Quando o Grêmio contratou o Renato no ano passado, no mesmo período em que o Inter se classificava para a final da Liber e o tricolor ia caindo pelas beiradas no Brasileiro, fui uma voz DISSONANTE entre amigos e colegas e apostei no sucesso dele. Porque o time que ele tinha em mãos era bom, com um senhor goleiro, meias competentes e um atacante enlouquecido por gols. A defesa, que era um problema, foi arrumada por um ESTIVADOR, e Lúcio na meia-cancha deu muito resultado.

Pois bem: começa o ano, muda a diretoria, e Paulo Odone conseguiu perder em TODOS os aspectos extra-campo até agora. Não é só o caso Ronaldinho e a saída absurda do Jonas: perder um zagueiro titular para o futebol chinês é piada, piada absurda, porque mesmo que Rodolfo – uma decepção para mim, até agora – tenha vindo, Rafael Marques continua na defesa tricolor. E isso é inadmissível em um time que pretende brigar pelo título. O jogo de hoje (ontem?), os últimos jogos, tudo comprova isso. A zaga do Grêmio erra muito, e quase sempre são erros fatais, principalmente quando RM está envolvido no lance. Ele não tem condições de ser titular incontestável de time algum que esteja na disputa pela América.

Mas o aspecto que mais me desconcertou na vitória cruzada sobre foi a completa falta de foco do Grêmio no JOGO. Demorou uns 25 minutos para o time, geralmente bastante PILHADO, entrar em sintonia com o que estava em disputa, e logo depois saiu o primeiro gol chileno. Aí, a atucanação instantânea se transformou em pânico com Borges e com os demais erros. O próprio gol – golaço – do Douglas, no segundo tempo, só surgiu após uma série de erros da Católica, mesmo que o caminho para o empate fosse até certo ponto fácil. E, por isso, não surpreendeu que Pratto fizesse o segundo gol se aproveitando do calcanhar de Aquiles tricolor.

Apesar de tudo, o Grêmio ainda tem chances. Mesmo esgualepado, sem Lúcio, Victor e Borges, e com André Lima ainda no limbo da recuperação. Porque a Católica, apesar de bom time, tem uma defesa PAVOROSA, que proporcionou jogadas perigosas mesmo com a vantagem de um homem. E nunca se pode desconsiderar o histórico de entregas do futebol chileno na Libertadores.

Mas que o resultado de hoje fique de lição para quem tem um compromisso ainda mais enroscado nesta quinta-feira, em um estádio que por si só é símbolo da maior competição da América.

Da arte do bom cinema

Feriados servem para muita coisa. Para mim, ultimamente, têm servido para poder colocar em dia a mente com filmes novos e antigos que eu tinha vontade de ver. Foi o que fiz nestes DIAS SANTOS, com duas escolhas que passaram bem, mas bem longe disso: Inception (A Origem) e The Goodfellas (Os Bons Companheiros). Não se preocupem, não tem spoiler algum no texto.

Inception me deixou nervoso e atucanado a um ponto que filme algum tinha me deixado até então. Os primeiros 25 minutos de filme foram completamente transtornantes, e eu não tinha entendido ainda qual era a ideia da coisa toda – não havia lido nada sobre a história, nem mesmo a sinopse da capa do dvd. Obviamente, levei um tempo até entender a história, o tempo que o personagem do Leonardo Di Caprio leva para contar direitinho o que faz para viver.

A partir daí, porém, foi puro DELEITE horrorizado com a sucessão de fatos absurdos que teimava em acontecer. Em certo ponto, comecei a achar medonho todo o desenrolar da história, tentando imaginar onde tudo aquilo ia parar, mas jamais pensei que o final iria me destruir tanto.

Filmaço, filmaço. Mas…

Não sou um conhecedor profundo de cinema, do tipo que sabe distinguir diretores diferentes e tudo mais. Mas, claro, tenho os meus preferidos. E Martin Scorsese é o cabeça deste grupo. Só que, por insondáveis mistérios da humanidade (ou uma profunda falta de vergonha na cara), eu ainda não havia assistido The Goodfellas.

Não sei explicar por que esses filmes de máfia mexem tanto comigo. A cada cena, a cada novo desdobramento da trama toda, a minha vontade era de levantar do sofá e ficar vendo o resto do filme em pé – mesma sensação que eu tive quando assisti The Departed no cinema. Scorsese, puta merda, só faz petardos cinematográficos.

Em suma: provavelmente TODO MUNDO já assistiu os dois filmes a esta altura dos acontecimentos. mas se alguém não viu, toca ficha e ALUGA O DVD (não me vão assistir isso na tela do laptop, pelamor…). AGORA.

Chico Luz

Absurdamente genial

O futebol é um esporte diferente dos demais, e a prova disso foi essa quarta-feira de 20 de abril. Foi, de longe, um dos dias mais dementes, absurdos e geniais que eu já registrei, quando se trata do balonpié. E que pode se refletir em toda uma vida (mas é melhor ainda não pensar nisso…).

Como explicar, por exemplo, que o Cerro Porteño perdia para o Colo Colo por 2 a 0 aos 20 minutos do primeiro tempo, em Santiago, e virou o jogo aos 44 da etapa final? Com isso, se classificou como líder do seu grupo e matou o Cacique, que confirmou sua fama de Botafogo continental.

Ou o próprio Botafogo, que precisava vencer o Avaí na Ressacada e fazia isso até os 42 do segundo tempo, quando teve um pênalti contra roubado? Empate, classificação azzurra, briga enlouquecidamente linda e mais uma botafogada histórica.

Mas tinha mais, muito mais.
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Petardo

O Inter ganhou bem – jogando não tão bem assim – e se classificou para as oitavas de final da Libertadores. Lindeza pura, mas AINDA não é hora de falar sobre isso, já que o destino colorado (e também o de todo mundo, né) se define somente nesta quarta-feira.

O que eu quero falar mesmo é que PUTA QUE PARIU QUE MÚSICA DO CARALHO essa nova do Artic Monkeys:

Chico Luz

Funcionou

Incrivelmente, a largada não determinou a chegada. Hooray

Um dos meus esportes preferidos é falar mal de várias coisas – quaisquer coisas (bonito esse quaisquer, né?) – incluindo aí os meus esportes realmente preferidos, como futebol e Fórmula 1. Minha chatice endêmica sobre assuntos insignificantes salta à tona quando a F1 anuncia seu pacote anual de patacoadas, com as mudanças estapafúrdias que a FIA costuma promover.

Obviamente fiz isso com as novidades deste ano, e agora, passadas três corridas, posso dizer – acreditem, felizmente – que eu errei. Como ficou afudê a F1!

Ao menos, é o que o GP da China indicou. Não gostei da corrida na Malásia, apesar das várias mudanças e tudo mais, porque achei tudo muito CONFUSO – parecia que as ultrapassagens levavam a lugar nenhum, por exemplo. Em Shanghai, não: cada ação de um piloto gerava um fato novo na corrida, e houve alguns fatos para curtir.

Foi bonito ver as aulas de pilotagem de Hamilton, Webber, Schumacher e Massa – os quatro melhores, na minha humilde opinião. Como foi bonito ver Vettel, piloto que conta com a minha torcida, tendo que suar para segurar um segundo lugar, e fazendo isso com maestria. Foi um GP que mostrou como é preciso habilidade para guiar um F1, para fazer ultrapassagens no limite. Uma baita, baita corrida.

Aos fatos mais “técnicos”: é claro que os pneus borderline da Pirelli são completamente dementes, e por isso que há tantas mudanças. Mas foda-se. Eu até achei meio fake essas piadas de asa-móvel, pneus de papel-crepom e tudo mais, mas a questão é que eles funcionaram para tornar as corridas melhores – e eu ainda não estou na fase de brigar com os fatos.

Que a temporada continue assim. Porque, na China, as ideias da FIA funcionaram. Tri demais.

Chico Luz