Carreras son carreras

Podem criar a regra que for na Fórmula 1. No fim, o que determina se as corridas serão boas ou não são as pistas, os pilotos e as condições do tempo. Aí está o GP do Canadá que não me deixa mentir: um circuito sensacional, que não perdoa erros, frequentado por caras que estão MUITO acima da média de grids passados, e ainda contando com uma chuva federal para bagunçar tudo.

Não é à toa que, em provas assim, o talento puro se sobressai à velocidade bruta. Jenson Button, um cara capaz de conduzir um tanque com pneus carecas de Uno durante uma tempestade, superou punições, toques, pneus furados, seis pit-stops – e, provavelmente, ainda fez algum TRUQUE DE CARTAS (ns) – nas quatro horas de prova para vencer em Montréal. Depois, ainda ganhou um beijo da JESSICA MICHIBATA. O rapaz é foda.

Mas do Button todos vão falar, já que uma vitória conquistada na última volta – e ainda mais na corrida mais longa da história – é algo que fica para a história. O que pode se perder no futuro é o que fez Michael Schumacher: os sete títulos que contemplam o mundo do alto dos 41 anos do alemão foram colocados à prova hoje, com uma atuação espetacular. Fazia tempo que eu não via alguém com tanto TESÃO em um GP, e estava sinceramente torcendo por uma vitória do TEDESCO.

Isso que ainda teve Kobayashi mitando na chuva, Petrov, Di Resta, Alguersuari voando, Massa em alguns momentos inspirados e outros nem tanto… uma prova sensacional, que fica ao lado de GPs como Alemanha/2000, Inglaterra/2002, Europa/2007 e Brasil/2008 como das melhores corridas dos últimos anos.

O que o Canadá também mostrou é que o regulamento novo – que eu até havia ELOGIADO, mind you – pode ser uma bela merda. Ou, pelo menos, é algo completamente artificial e desnecessário. O GP foi perfeito e disputado sem a necessidade de asas móveis e com pneus que se comportaram com algum tipo de DECÊNCIA, e foi só voltarem a liberar o famigerado DRAG REDUCTION SYSTEM para virar uma putaria de ultrapassagens sem graça alguma. Se não houvesse o DRS, Schumi, Webber e Button brigariam apenas no braço até o fim. O resultado final poderia até ser o mesmo, mas PARA MIM seria algo muito mais AFUDÊ de se ver.

O que vale, mesmo, é ter pistas boas, pilotos bons e um clima insano.

Ou, em resumo: talvez aquela ideia do Bernie de um BOTÃO DE CHUVA não fosse algo tão absurdo assim.

Abraços,
Chico Luz

Funcionou

Incrivelmente, a largada não determinou a chegada. Hooray

Um dos meus esportes preferidos é falar mal de várias coisas – quaisquer coisas (bonito esse quaisquer, né?) – incluindo aí os meus esportes realmente preferidos, como futebol e Fórmula 1. Minha chatice endêmica sobre assuntos insignificantes salta à tona quando a F1 anuncia seu pacote anual de patacoadas, com as mudanças estapafúrdias que a FIA costuma promover.

Obviamente fiz isso com as novidades deste ano, e agora, passadas três corridas, posso dizer – acreditem, felizmente – que eu errei. Como ficou afudê a F1!

Ao menos, é o que o GP da China indicou. Não gostei da corrida na Malásia, apesar das várias mudanças e tudo mais, porque achei tudo muito CONFUSO – parecia que as ultrapassagens levavam a lugar nenhum, por exemplo. Em Shanghai, não: cada ação de um piloto gerava um fato novo na corrida, e houve alguns fatos para curtir.

Foi bonito ver as aulas de pilotagem de Hamilton, Webber, Schumacher e Massa – os quatro melhores, na minha humilde opinião. Como foi bonito ver Vettel, piloto que conta com a minha torcida, tendo que suar para segurar um segundo lugar, e fazendo isso com maestria. Foi um GP que mostrou como é preciso habilidade para guiar um F1, para fazer ultrapassagens no limite. Uma baita, baita corrida.

Aos fatos mais “técnicos”: é claro que os pneus borderline da Pirelli são completamente dementes, e por isso que há tantas mudanças. Mas foda-se. Eu até achei meio fake essas piadas de asa-móvel, pneus de papel-crepom e tudo mais, mas a questão é que eles funcionaram para tornar as corridas melhores – e eu ainda não estou na fase de brigar com os fatos.

Que a temporada continue assim. Porque, na China, as ideias da FIA funcionaram. Tri demais.

Chico Luz

Sobre culpados

Gustavo Sondermann é mais uma vítima do automobilismo brasileiro. Aos 29 anos, morreu em um acidente estúpido, em uma categoria estúpida, gerenciada por gente estúpida. E, assim como os demais pilotos e preparadores, gente que realmente vive e trabalha do e no automobilismo, sofreu pela completa ausência de responsabilidade e competência de quem comanda corridas no Brasil.

Este assunto pode interessar a muito pouca gente – prova cabal de que o automobilismo brasileiro não existe mais -, mas para quem trabalhou no meio, é frustrante demais ver um cenário patético e bizarro cada vez mais aterrador.

Domingo pela manhã, eu assistia ao Esporte Espetacular quando começou a “apresentação” para a prova da Stock Car em Interlagos. Sou rei em sentir vergonha alheia de muitas coisas, mas bati meu recorde ao ver Ricardo Maurício e Cacá Bueno (dois PUTA pilotos) dizendo que estavam com “o carro amarelo 90” e “o carro azul 00”.

Carro amarelo. Carro azul. Puta que pariu.

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