Um time que fala

Na minha MOCIDADE, uma das coisas que mais me afligia no Internacional era ver como o time – QUALQUER time, em QUALQUER época dos meus 0 aos 21 anos – se apequenava dentro de uma partida. Era muito difícil que qualquer circunstância fora do comum fosse benéfica ao Colorado de então, e muito disso passava (no que eu entendo de futebol) pelo pouco que os jogadores se comunicavam em campo. Tanto entre eles quanto com o juiz, com os adversários, etc.

Pois no domingo, no Gre-Nal que terminou empatado após um domínio territorial completo dos vermelhos – e que teve um triunfo localista nos pênaltis – deu para ver efetivamente como os últimos cinco anos fizeram o Inter crescer, em todos os sentidos. Claro que isso fica evidente com dois títulos de Libertadores, uma Sul-Americana, três vice brasileiros e um convite para jogar uma Audi Cup da vida. Mas, para mim, forjado na arte eterna e terrível do Gre-Nal, ver o Inter ser maior que o Grêmio até nos aspectos externos de dentro do jogo é algo muito, mas muito legal.

Porque eu muito sofri com o Grêmio matreiro que vicejou até 2002. Aquele time que sempre dava um jeito de tentar importunar tudo, que fazia gols criados de jogadas de mão e tirava os Fabianos dos clássicos após discussões estapafúrdias, era sempre superior mentalmente ao Inter. E, ontem, o Colorado dominou todas as ações.

Uma das vantagens de se assistir ao jogo no estádio – e de fazer isso pelo trabalho, o que (acreditem) faz com que tu preste atenção nos teus deveres antes de lembrar que ali está o time que é parte da tua vida – é perceber alguns detalhezinhos, que contam muitas vezes o porquê de um jogo terminar de tal maneira. A diferença primordial entre Inter e Grêmio hoje é que os colorados falam, e os gremistas calam. Leandro Damião (gênio eterno) e D’Alessandro conversaram durante TODO o tempo em que estiveram próximos: gesticulavam, combinavam jogadas, se cobravam. Douglas e Borges, no lado tricolor da força, pareciam nunca ter sido apresentados. O único gremista que se fazia ouvir era Fábio Rochemback, e não à toa ele se enervou por ser o único responsável por toda a COMUNICAÇÃO azul.

Enfim: detalhes, apenas isso – mas são nos detalhes que um clube cresce, e o Inter mostra que vem cumprindo muito bem o seu papel. Seja no Beira-Rio em um Gre-Nal, seja num Centenario lotado contra o Peñarol, o Colorado de hoje é um time maduro e que sabe do seu potencial.

Chico Luz

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