Les Misérables

Não sou um “devorador” de clássicos. Há muita coisa que eu já tentei ler e não tive paciência para terminar, por diversos motivos – ou a história não me atraiu, ou tive o azar de pegar uma edição ruim; coisas do gênero.

Não foi o caso com este Les Misérables. Até tive o azar de encontrar apenas uma tradução antiga na biblioteca da Feevale, de 1979, com várias coisas, ahn, ESTRANHAS – como vírgulas jogadas sobre frases como se fosse orégano em uma pizza.

Mas nada, nada disso, impediu que eu ficasse preso à história até o fim. Senhoras e senhores, que livro é este Les Misérables. Victor Hugo conseguiu contar, em 1862, uma história de redenção que, com o perdão da palavra, é imortal. A saga de Jean Valjean – desde já um dos meus personagens preferidos em literatura, herói no mesmo nível de Winston Smith e O Homem sem Nome d’O Terceiro Tira – é algo que foge à compreensão.

Cosette, ainda presa dos Thénardier

Para tentar resumir sem contar muito (ora, vão ler o livro!): Jean Valjean é um ex-condenado às galés (prisões), liberto em 1815 após 19 anos de reclusão, por haver roubado um pão. Ele tentou fugir quatro vezes, foi pego nas quatro, e por isso a sua pena, inicialmente de cinco anos, aumentou até os 19 totais. Quando procurava abrigo na cidade de Digne, era recusado por todas as hospedarias, por carregar os papéis que o denunciavam como um ex-condenado. Ele foi depois acolhido pelo bispo local, mas acabou roubando algumas peças de prata do bispo – que, surpresa, disse à polícia ter as oferecido a ele, como “compra” por sua honradez futura.

Pois, se tem alguém que tentou honrar uma promessa, foi Jean Valjean. O livro conta a partir daí, mas também relembrando fatos passados e fazendo um apanhado histórico sobre momentos importantes da história francesa – como uma descrição sensacional da Batalha de Waterloo -, o que este ex-condenado teve de enfrentar até o fim dos seus dias. Para que vocês sintam o drama: ele enriqueceu, foi novamente preso, cumpriu nova promessa, fugiu, sumiu, reapareceu, salvou e, enfim, morreu. Não sem antes ter sempre levado ao pé da letra aquilo que garantiu ao bispo de Digne, passando as vezes por momentos de conflitos internos que realmente valem a pena ser lidos.

O livro todo vale. Como acontece com os bons clássicos, os personagens, mesmo com 150 anos de vida, continuam sendo atuais. A inocência de Cosette – a guriazinha da imagem acima -, a completa vilania dos Thénardier, os sonhos de Mario, a retidão e a falta de vivacidade de Javert… tudo tem paralelo com personagens atuais.

Não é um livro “fácil” de se ler, pois há MUITAS (imaginem MUITAS mesmo, em caixa alta e tudo que isso representa) histórias diferentes, que parecem paralelas mas de repente convergem em alguns pontos. Mas não é nada que o brilhantismo de todo o romance, e um pouco de memória em dia para guardar as informações, não resolva. Vão por mim: vale a pena ler.

Minha meta agora é procurar uma edição nova, que eu sempre cuidava com um canto de olho na época em que trabalhei numa livraria, para comprar e ver a história ainda mais completa – o original francês tem 1.400 páginas; a cópia que eu li parou nas 516. Vamos ver o que ainda resta descobrir deste baita COMPÊNDIO sobre a miséria e a redenção.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s