Perdemos

É idiota demais querer escrever, duzentas horas após o episódio, algumas linhas sobre algo da magnitude que aconteceu hoje no Realengo. Mas sou um idiota em potencial, e não fujo disso; então, sigamos.

Estou longe de fazer parte do grupo fatalista que acha tudo que acontece hoje pior, muito pior do que o passado. Escravidão, cruzadas, inquisição, nazismo, fascismo, tudo isso já fez parte do cotidiano e tinha o apoio de muita gente, algo que não acontece atualmente. Qualquer declaração absurda de um Bolsonaro da vida tem imediata repercussão negativa – apesar de alguns o apoiarem, como ainda há nazistas, escravocatas, etc.

A estupidez é eterna, e resta a nós – que não nos achamos tão estúpidos – aprender a conviver com ela.

Da mesma maneira, psicopatia e psicopatas sempre existiram, seguem por aí e, adivinha?, vão continuar vivendo no futuro. Resta a nós, que não nos consideramos psicopatas, evitar estar por perto quando algo semelhante ao que se viu no Rio acontecer.

Não havia como evitar o (atentado? Chacina? Definam como chamar isso e me falem). Desarmamento, palavra que voltou com tudo aos debates de hoje, resolveria muito pouca coisa. Talvez ele usasse uma faca, e matasse quatro pessoas ao invés de 13. Mas e aí? Seriam quatro mortes da mesma maneira, e são as mortes, não o seu número, que chocam.

Principalmente por tudo que cerca uma escola – falando, neste caso, do ambiente ANÍMICO. Quando tu sai para trabalhar, de carro ou de ônibus, as vezes pensa (ou, melhor, eu de quando em quando penso) que um doido pode estar com um MONSTER TRUCK na rua querendo brincar de carmageddon ou algo do gênero. É um risco calculado: as ruas vomitam violência, e temos que passar por entre isso ao longo dos dias.

Mas não em uma escola. Um pai não deveria receber uma ligação, ou pior, ver na TV, que a escola dos teus filhos foi alvo da chacina de um homem só. É algo errado, roto em todos os sentidos.

E que me faz repensar se, de fato, não vivemos mesmo na pior era de todas. Um mundo de informações, de interatividade, de amizade (o meu mundo, ao menos, é assim, e é a única régua que tenho para medir as coisas), podendo ser aproveitado de duzentas mil maneiras diferentes. E a opção de um único cara extermina a vida de 12 e arrasa a existência de outros tantos.

Há algo muito errado com a gente, de fato.

Chico Luz

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