Sobre paixão

De todas as relações que eu tive, e vou ter, na minha vida, nenhuma nunca será tão duradoura e intensa quanto o amor que eu tenho pelo Internacional.

Não é um sentimento uniforme, porque já foi uma paixão desmedida, raiva intensa, loucura infinita, e hoje passa por uma amizade constante – de quando em vez quebrada por uma decepção frustrante -, mas é algo eterno, que mesmo que eu quisesse (e não quero), não poderia evitar.

Não faço ideia desde quando eu sou colorado. Talvez porque eu nunca tenha “não-sido” parte do Sport Club Internacional; pertenço ao clube, às cores e ao símbolo desde que nasci, quando o Colorado estava prestes a somar 76 anos, e desde então vivo intensamente a mesma vida do Inter.

(Eu sei que, nesta altura, talvez tenha gente achando que é estupidez um cara que trabalha com jornalismo esportivo no RS assumir assim o que sente por um clube. Bem… Só lamento por quem não pode fazer isso. Sigamos)

Não tenho noção de quando foi a primeira vez que vi algo do Inter na minha vida, mas tenho algumas lembranças bem destacadas destes, até agora, 26 anos de convivência: a primeira alegria – o título gaúcho com Alex Rossi em 1991, na minha primeira lembrança do Beira-Rio; a primeira loucura, quando vencemos nos pênaltis os gre-nais da Copa do Brasil de 92, e depois o próprio título contra o Flu, acompanhado na nova parabólica de casa, em um jogo que fiz questão de guardar gravando numa fita K7 através de um mini-gravadorzinho que eu tinha ganhado (maldição de jornalista já estabelecida)…

A primeira decepção profunda, em 95, quando ficamos de fora da semifinal do Brasileiro por um ponto, por um gol, depois de ter vivido uma emoção louca ouvindo pelo velho radinho de pilhas, grudado na cama, que 60 mil pessoas foram ver um paraguaio ferrugem no Beira-Rio logo depois que eles foram campeões da América. E era Carlos Alberto Gamarra Pavón que lá estava.

A emoção louca com os pênaltis contra o Santos em 97, com André e Arilson brilhando; a queda para Sidrack Marinho dos Santos e o Flamengo…

E então vieram Uh! Fabiano, Jesus Christian… André, Enciso, Márcio, Régis e Luciano; Anderson, Fernando, Arilson e Sandoval; Fabiano e Christian. O primeiro time que eu tenho decorado, memorizado, e que achei que nunca veria nada igual, nunca teria um ano tão bom – mesmo que eles tenham vencido a Copa do Brasil. Os 5 a 2, Roth enlouquecido na casamata…

As tristezas de 99, com o Juventude – e o fato de, mesmo tendo sofrido como nunca, ouvir dois dias depois outro jogo contra o Juventude, em que saímos perdendo mas viramos o placar, e ter comemorado isso – e com o Brasileirão. E o sentimento de alívio com Dunga.

O grande time de 2000, um dos que mais me emocionaram.

O limbo entre 2001 e 2002, com quase nada que fizesse valer a pena gastar tempo e dinheiro com o time. Mas eu gastava; com raiva, prometendo divórcio, mas eu gastava.

E fevereiro de 2003. O momento que, para mim, deixou claro que eu estava certo em sofrer, porque aquilo um dia seria recompensado. Aquele Gre-Nal em que eu estava ao lado de outros quatro colorados, contra não quantos gremistas, em um bar em Garopaba. E o Inter virou com Daniel Carvalho. E eu gritei como nunca, fui feliz como nunca, e achei que o futebol nunca seria melhor que aquilo… Tudo que veio depois foi consequência daquele dia.

O dia mais sofrido da minha vida em um estádio, naquele 3 de agosto de 2006, quando eu sentia que seríamos eliminados na semifinal da Libertadores – uma semana depois de eu ter largado um emprego para ir até o Paraguai de ônibus ver o jogo com o Libertad -, até que Alex e Ele apareceram. O coma profundo que eu tive por duas semanas, em que eu não lembro de NADA a não ser os dois jogos da decisão. E de ter visto 2006 e 2010 no campo, no meu campo.

Por todos que passaram pelo Inter, que eu vi e não vi; por Valdomiro, Figueroa, Manga e Falcão, Larri, Bodinho, Carlitos, Tesourinha, Nena e Abigail, Ruben Páz, Taffarel, Maurício, Aloísio e Winck, Fernández, Marquinhos, Célio Silva e Gerson, André, Gamarra, Anderson, Fabiano e Christian, e principalmente por Bolívar, Índio, Clemer, Guiñazu, D’Alessandro, Iarley e Fernandão;

Por todas as centenas de vezes que eu fui ao Beira-Rio, o lugar em que melhor me sinto no mundo, mesmo que tenhamos perdido jogos patéticos;

Por todos os colorados e coloradas da minha vida; meu pai, minha vó, minha tia, meus avôs, meus primos, tios e tias, amigos e desconhecidos;

Obrigado pelos 102 anos, Sport Club Internacional.

E vamo Colorado

Chico Luz

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