Sobre culpados

Gustavo Sondermann é mais uma vítima do automobilismo brasileiro. Aos 29 anos, morreu em um acidente estúpido, em uma categoria estúpida, gerenciada por gente estúpida. E, assim como os demais pilotos e preparadores, gente que realmente vive e trabalha do e no automobilismo, sofreu pela completa ausência de responsabilidade e competência de quem comanda corridas no Brasil.

Este assunto pode interessar a muito pouca gente – prova cabal de que o automobilismo brasileiro não existe mais -, mas para quem trabalhou no meio, é frustrante demais ver um cenário patético e bizarro cada vez mais aterrador.

Domingo pela manhã, eu assistia ao Esporte Espetacular quando começou a “apresentação” para a prova da Stock Car em Interlagos. Sou rei em sentir vergonha alheia de muitas coisas, mas bati meu recorde ao ver Ricardo Maurício e Cacá Bueno (dois PUTA pilotos) dizendo que estavam com “o carro amarelo 90” e “o carro azul 00”.

Carro amarelo. Carro azul. Puta que pariu.


Uma categoria que se pretende séria se vende por quaisquer merréis para uma emissora que não se presta nem a dizer os nomes das equipes – para quem não está entendendo o DRAMA do negócio, seria como o Leandro Damião dizer que veste a camisa 9 do TIME VERMELHO, sem citar o Internacional.

Mas a Stock é isso aí, mesmo. Apesar dos bons pilotos, das boas equipes, quem a organiza não gosta de corridas. E os carros são uns lixos profundos, inadequados aos circuitos que existem aqui, além de frágeis, como as duas mortes em três anos e meio comprovam – mesmo com um chassi diferente, “muito mais seguro”, segundo foi-me dito em pessoa em 2008, pouca coisa mudou.

O que fode, mesmo, é ver o quanto a CBA é simplesmente inexistente. Que essa entidade ridícula cumpre um papel mesquinho não é novidade para quem acompanha o meio – como exemplo clássico, enquanto começava alguma categoria nacional menor (não me lembro de cabeça qual), ele acompanhava em PORTUGAL a Porsche Cup Europeia. A troco de que, não sei.

Isso em si importa pouco – apenas para quem gosta do esporte – e é via de regra em quase tudo que é modalidade. O problema é que, no automobilismo, omissão e incompetência podem matar. E aí a resposta do dignissimo Cleyton Pinteiro é essa aqui (and I quote):

“Como pudemos ver por mais este acidente, as especificações da FIA não foram suficientes. Vamos ter de esperar um novo estudo por parte deles para fazermos alguma mudança ali.”

Se alguém não entendeu, é simples: a culpa não é da CBA, bobinhos. É da FIA, aparente dona de Interlagos, apesar de o autódromo ser um equipamento municipal de São Paulo, e apesar da CBA cobrar 40 mil dinheiros de cada piloto da Stock para garantir a sua “segurança”.

Como bem disse meu chapa e ex-editor Victor Martins, “O sumiço de Pinteiro diante da morte de Sondermann é a prova cabal de que ele está se lixando para o automobilismo. Acordem.”

E se alguém quer ler algo realmente bem escrito e contundente para entender o problema que há com corridas de automóvel no Brasil, vejam o que o ex-chefe Flavio Gomes escreveu em quatro partes: aqui, aqui (com um anexo extra), aqui e aqui.

Chico Luz

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