Ich bin ein berliner


O momento que eu mais gostaria de ter presenciado ao vivo (Reuters)

Não tenho plena noção de quando foi que comecei a me interessar por história. Mas sei, com profunda convicção, que foi neste momento – provavelmente no auge dos meus 4-5 anos, envolvido pelas notícias que falavam do fim de um mundo como era conhecido e do surgimento de uma nova ordem – que a Alemanha “entrou” na minha vida. E, desde então, nunca houve um lugar que eu quisesse tanto conhecer como a capital germânica.

Entrou está entre aspas porque, nascido e morador de Novo Hamburgo, o ETHOS alemão sempre esteve presente. Não apenas pela colonização, que se não se faz notar tão fortemente nesta vilipendiada cidade, continua sendo parte integral e cultural de muitas famílias. A minha, que nem ao menos convivia com a linguagem, tinha muito do TEDESCO, continua e continuará tendo.

Sei que, desde a primeira vez que ouvi falar no Muro de Berlim, e no fato de que uma cidade era dividida entre dois países por uma parede, sempre tive enraizado o sonho de conhecer este lugar, desbravar tudo que pode ser visto na fronteira de 40 anos entre ocidente e oriente, entre capitalismo e bolchevismo. Foi por Berlim, pela Alemanha, que eu devorei um Almanaque Abril 1983 oito anos depois. E foi por isso que, no final das contas, eu escolhi ser jornalista.

Mais do que a história presente em cada esquina da cidade, e que faz parte da História que eu sempre fui apaixonado desde guri, me intrigam todos os fatores cruciais que levaram um país como a Alemanha a seguir o caminho que seguiu em 1933. É algo que sempre me torturou, de uma maneira até cruel as vezes, e fez com que eu fizesse uma frágil promessa pessoal: “estarei aí.”

Pois a hora de honrar minha palavra com o guri que eu fui aos 6 anos chegou. Em outubro, Berlim estará na minha mira. Antes disso, vou poder conhecer Paris, Amsterdam e, depois, Munique e Lisboa. Mas que eu nunca esqueça: se eu decidi gastar um dinheiro que não tenho, e planejar como um doido algo que poderia muito bem ser melhor aproveitado em outras épocas ou outros lugares, é por Berlim.

Estarei aí.

Chico Luz

Demência demais – ou genialidade demais

Um dos meus sonhos frustrados é ainda não ter saltado de paraquedas – sendo os outros não ter me tornado um ALPINISTA e nem ter participado de nenhuma VIAGEM ESPACIAL. E, como paraquedista frustrado, fico sempre meio TRANSTORNADO e EM CHAMAS quando vejo vídeos de gente GRACEJANDO nos ares.

Como o Jeb Corliss fez aqui:

Jeb Corliss wing-suit demo from Jeb Corliss on Vimeo.

Abraços,
Chico Luz

Carreras son carreras

Podem criar a regra que for na Fórmula 1. No fim, o que determina se as corridas serão boas ou não são as pistas, os pilotos e as condições do tempo. Aí está o GP do Canadá que não me deixa mentir: um circuito sensacional, que não perdoa erros, frequentado por caras que estão MUITO acima da média de grids passados, e ainda contando com uma chuva federal para bagunçar tudo.

Não é à toa que, em provas assim, o talento puro se sobressai à velocidade bruta. Jenson Button, um cara capaz de conduzir um tanque com pneus carecas de Uno durante uma tempestade, superou punições, toques, pneus furados, seis pit-stops – e, provavelmente, ainda fez algum TRUQUE DE CARTAS (ns) – nas quatro horas de prova para vencer em Montréal. Depois, ainda ganhou um beijo da JESSICA MICHIBATA. O rapaz é foda.

Mas do Button todos vão falar, já que uma vitória conquistada na última volta – e ainda mais na corrida mais longa da história – é algo que fica para a história. O que pode se perder no futuro é o que fez Michael Schumacher: os sete títulos que contemplam o mundo do alto dos 41 anos do alemão foram colocados à prova hoje, com uma atuação espetacular. Fazia tempo que eu não via alguém com tanto TESÃO em um GP, e estava sinceramente torcendo por uma vitória do TEDESCO.

Isso que ainda teve Kobayashi mitando na chuva, Petrov, Di Resta, Alguersuari voando, Massa em alguns momentos inspirados e outros nem tanto… uma prova sensacional, que fica ao lado de GPs como Alemanha/2000, Inglaterra/2002, Europa/2007 e Brasil/2008 como das melhores corridas dos últimos anos.

O que o Canadá também mostrou é que o regulamento novo – que eu até havia ELOGIADO, mind you – pode ser uma bela merda. Ou, pelo menos, é algo completamente artificial e desnecessário. O GP foi perfeito e disputado sem a necessidade de asas móveis e com pneus que se comportaram com algum tipo de DECÊNCIA, e foi só voltarem a liberar o famigerado DRAG REDUCTION SYSTEM para virar uma putaria de ultrapassagens sem graça alguma. Se não houvesse o DRS, Schumi, Webber e Button brigariam apenas no braço até o fim. O resultado final poderia até ser o mesmo, mas PARA MIM seria algo muito mais AFUDÊ de se ver.

O que vale, mesmo, é ter pistas boas, pilotos bons e um clima insano.

Ou, em resumo: talvez aquela ideia do Bernie de um BOTÃO DE CHUVA não fosse algo tão absurdo assim.

Abraços,
Chico Luz

Um time que cai

Uma semana pode ser muita coisa para um time de futebol, para o bem e para o mal. O Internacional conseguiu, nos últimos sete dias, transformar todas as pretensões de um ano na expectativa de amargas decepções.

E, como sempre, o caminho correto é o do meio: nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

A derrota para o Peñarol foi inesperada – não pelo Peñarol, seu time, sua história e a camisa mais linda e pesada da América do Sul – mas pelo próprio Colorado, que tratou de colocar por terra toda a minha teoria desenvolvida no post anterior. Um time que se abateu com um gol, que sofreu por não se acalmar, e que desde então (e lá se vão sete longos dias) não mais se reencontrou em campo.

Claro que perder um Gre-Nal em casa, após cair na Libertadores, sempre forma o terreno PROPÍCIO para uma terra arrasada sem precedentes. Mas não é o caso AINDA: a situação de hoje se parece muito com o que foi visto no Internacional em 2008, quando da queda na Copa do Brasil e, logo depois, da saída de Abel Braga. Uma espécie de MINIRECONSTRUÇÃO, que já começou com a chegada de Falcão, e que ainda depende de trabalho feito longe dos jogos.

Ou: treino, treino e mais treino. O Inter não treinou nos últimos dias, e ao menos agora (o ponto positivo de uma situação bem ruim) tem um pouco de tempo para pensar no Brasileiro. Time, elenco, material humano existe. Se as ideias forem corretas, quem sabe, depois de 32 anos, o Brasil não volta a ser colorado de novo.

Quem sabe…
Chico Luz

Um time que fala

Na minha MOCIDADE, uma das coisas que mais me afligia no Internacional era ver como o time – QUALQUER time, em QUALQUER época dos meus 0 aos 21 anos – se apequenava dentro de uma partida. Era muito difícil que qualquer circunstância fora do comum fosse benéfica ao Colorado de então, e muito disso passava (no que eu entendo de futebol) pelo pouco que os jogadores se comunicavam em campo. Tanto entre eles quanto com o juiz, com os adversários, etc.

Pois no domingo, no Gre-Nal que terminou empatado após um domínio territorial completo dos vermelhos – e que teve um triunfo localista nos pênaltis – deu para ver efetivamente como os últimos cinco anos fizeram o Inter crescer, em todos os sentidos. Claro que isso fica evidente com dois títulos de Libertadores, uma Sul-Americana, três vice brasileiros e um convite para jogar uma Audi Cup da vida. Mas, para mim, forjado na arte eterna e terrível do Gre-Nal, ver o Inter ser maior que o Grêmio até nos aspectos externos de dentro do jogo é algo muito, mas muito legal.

Porque eu muito sofri com o Grêmio matreiro que vicejou até 2002. Aquele time que sempre dava um jeito de tentar importunar tudo, que fazia gols criados de jogadas de mão e tirava os Fabianos dos clássicos após discussões estapafúrdias, era sempre superior mentalmente ao Inter. E, ontem, o Colorado dominou todas as ações.

Uma das vantagens de se assistir ao jogo no estádio – e de fazer isso pelo trabalho, o que (acreditem) faz com que tu preste atenção nos teus deveres antes de lembrar que ali está o time que é parte da tua vida – é perceber alguns detalhezinhos, que contam muitas vezes o porquê de um jogo terminar de tal maneira. A diferença primordial entre Inter e Grêmio hoje é que os colorados falam, e os gremistas calam. Leandro Damião (gênio eterno) e D’Alessandro conversaram durante TODO o tempo em que estiveram próximos: gesticulavam, combinavam jogadas, se cobravam. Douglas e Borges, no lado tricolor da força, pareciam nunca ter sido apresentados. O único gremista que se fazia ouvir era Fábio Rochemback, e não à toa ele se enervou por ser o único responsável por toda a COMUNICAÇÃO azul.

Enfim: detalhes, apenas isso – mas são nos detalhes que um clube cresce, e o Inter mostra que vem cumprindo muito bem o seu papel. Seja no Beira-Rio em um Gre-Nal, seja num Centenario lotado contra o Peñarol, o Colorado de hoje é um time maduro e que sabe do seu potencial.

Chico Luz

Quem quer a Copa?

Pelo jeito, não o Grêmio.

Eu tinha dito que, com as atuações recentes, nem tricolores e nem colorados podiam se considerar amplos favoritos nos seus jogos de oitavas de final. Pois a esquadra portaluppista fez questão de ampliar este LEQUE de pensamento com uma atuação simplesmente pavorosa no jogo de ida contra a Universidad Católica, apesar de o resultado ainda não significar o fim dos sonhos molhados azuis com a terceira Copa. Da mesma maneira, o Vélez mostrou um futebol que ainda não tinha exibido (eu não VIRA nenhum jogo do Fortín até agora) nesta Libertadores.

Mas começando pelo começo.

Quando o Grêmio contratou o Renato no ano passado, no mesmo período em que o Inter se classificava para a final da Liber e o tricolor ia caindo pelas beiradas no Brasileiro, fui uma voz DISSONANTE entre amigos e colegas e apostei no sucesso dele. Porque o time que ele tinha em mãos era bom, com um senhor goleiro, meias competentes e um atacante enlouquecido por gols. A defesa, que era um problema, foi arrumada por um ESTIVADOR, e Lúcio na meia-cancha deu muito resultado.

Pois bem: começa o ano, muda a diretoria, e Paulo Odone conseguiu perder em TODOS os aspectos extra-campo até agora. Não é só o caso Ronaldinho e a saída absurda do Jonas: perder um zagueiro titular para o futebol chinês é piada, piada absurda, porque mesmo que Rodolfo – uma decepção para mim, até agora – tenha vindo, Rafael Marques continua na defesa tricolor. E isso é inadmissível em um time que pretende brigar pelo título. O jogo de hoje (ontem?), os últimos jogos, tudo comprova isso. A zaga do Grêmio erra muito, e quase sempre são erros fatais, principalmente quando RM está envolvido no lance. Ele não tem condições de ser titular incontestável de time algum que esteja na disputa pela América.

Mas o aspecto que mais me desconcertou na vitória cruzada sobre foi a completa falta de foco do Grêmio no JOGO. Demorou uns 25 minutos para o time, geralmente bastante PILHADO, entrar em sintonia com o que estava em disputa, e logo depois saiu o primeiro gol chileno. Aí, a atucanação instantânea se transformou em pânico com Borges e com os demais erros. O próprio gol – golaço – do Douglas, no segundo tempo, só surgiu após uma série de erros da Católica, mesmo que o caminho para o empate fosse até certo ponto fácil. E, por isso, não surpreendeu que Pratto fizesse o segundo gol se aproveitando do calcanhar de Aquiles tricolor.

Apesar de tudo, o Grêmio ainda tem chances. Mesmo esgualepado, sem Lúcio, Victor e Borges, e com André Lima ainda no limbo da recuperação. Porque a Católica, apesar de bom time, tem uma defesa PAVOROSA, que proporcionou jogadas perigosas mesmo com a vantagem de um homem. E nunca se pode desconsiderar o histórico de entregas do futebol chileno na Libertadores.

Mas que o resultado de hoje fique de lição para quem tem um compromisso ainda mais enroscado nesta quinta-feira, em um estádio que por si só é símbolo da maior competição da América.

Da arte do bom cinema

Feriados servem para muita coisa. Para mim, ultimamente, têm servido para poder colocar em dia a mente com filmes novos e antigos que eu tinha vontade de ver. Foi o que fiz nestes DIAS SANTOS, com duas escolhas que passaram bem, mas bem longe disso: Inception (A Origem) e The Goodfellas (Os Bons Companheiros). Não se preocupem, não tem spoiler algum no texto.

Inception me deixou nervoso e atucanado a um ponto que filme algum tinha me deixado até então. Os primeiros 25 minutos de filme foram completamente transtornantes, e eu não tinha entendido ainda qual era a ideia da coisa toda – não havia lido nada sobre a história, nem mesmo a sinopse da capa do dvd. Obviamente, levei um tempo até entender a história, o tempo que o personagem do Leonardo Di Caprio leva para contar direitinho o que faz para viver.

A partir daí, porém, foi puro DELEITE horrorizado com a sucessão de fatos absurdos que teimava em acontecer. Em certo ponto, comecei a achar medonho todo o desenrolar da história, tentando imaginar onde tudo aquilo ia parar, mas jamais pensei que o final iria me destruir tanto.

Filmaço, filmaço. Mas…

Não sou um conhecedor profundo de cinema, do tipo que sabe distinguir diretores diferentes e tudo mais. Mas, claro, tenho os meus preferidos. E Martin Scorsese é o cabeça deste grupo. Só que, por insondáveis mistérios da humanidade (ou uma profunda falta de vergonha na cara), eu ainda não havia assistido The Goodfellas.

Não sei explicar por que esses filmes de máfia mexem tanto comigo. A cada cena, a cada novo desdobramento da trama toda, a minha vontade era de levantar do sofá e ficar vendo o resto do filme em pé – mesma sensação que eu tive quando assisti The Departed no cinema. Scorsese, puta merda, só faz petardos cinematográficos.

Em suma: provavelmente TODO MUNDO já assistiu os dois filmes a esta altura dos acontecimentos. mas se alguém não viu, toca ficha e ALUGA O DVD (não me vão assistir isso na tela do laptop, pelamor…). AGORA.

Chico Luz